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Câmara Municipal de Rondonópolis - Poder Legislativo


quinta, 29 de fevereiro de 2024


A vereadora Marildes Ferreira (PSB) fez um verdadeiro desabafo na Câmara de Vereadores, ao retratar o momento em que a Saúde do município tem vivido, principalmente no que tange aos pagamentos de fornecedores e o resultado final, dessa situação,  na vida das pessoas que dependem do serviço. “Não dá mais. Ficarmos aguardando as respostas que nunca chegam, e quando chegam, já estão saturadas, pois não são verdadeiras”, disse a vereadora.

O discurso foi feito quando a vereadora defendia um requerimento proposto por ela, com pedido de informações sobre os pagamentos de fornecedores de medicamentos, insumos, e alimentos para atender as unidades hospitalares, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Hospital de Retaguarda, Pronto Atendimento Infantil e o próprio Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). “Eu quero saber tudo o que está sendo devido para essas empresas, quem são essas empresas, e por que o prefeito não paga?”, questionou a vereadora.

Marildes foi ainda mais longe e disse que essa falta de pagamento, que beira ao descaso, tem gerado problemas para os usuários da saúde no município. Ela mencionou que na UPA do município, faltava um equipamento chamado equipo, utilizado para a aplicação de soro e medicamentos aos pacientes. Além disso, segundo a vereadora, faltavam na unidade produtos básicos como luvas, coletor de urina, e anti-inflamatórios. “Não havia analgésicos e foi preciso pedir emprestado na zoonoses. Também não havia anticoagulante, que salva a vida de uma pessoa com trombose, está faltando tudo”, disse a vereadora.

O vereador Ozéias Reis, em um aparte, elogiou o discurso da vereadora e concordou que ela está correta em expor esse problema. O parlamentar acrescentou que outro problema é a falta de renovação do contrato dos médicos que atuam no setor de saúde mental, o que tem trazido preocupações, pois os pacientes estão sem acesso a receitas de medicamentos controlados.

Marildes ainda mencionou que essa crise provocada pela falta de pagamentos tem refletido até na alimentação das pessoas internadas em unidades de saúde. “Recebi denúncias sobre a qualidade dos alimentos servidos. Pude constatar que os freezers estão vazios, a despensa está vazia, havia apenas um fardo de arroz e feijão, um de açúcar, e só daria para duas refeições. Não havia frutas para servir aos pacientes, nem bolachas para o café da manhã das crianças no PA infantil. Foi orientado que torrassem pão e fizessem torradinhas com manteiga”, relatou.

Ela disse que fotografou essa situação e conversou com vários fornecedores que confirmaram que estão sem receber e, por isso, não estão fornecendo os produtos. A vereadora ainda enfatizou que o prefeito é diretamente responsável por esse problema, ela isentou a secretária de Saúde, Ione Rodrigues, que segundo a vereadora está tentando fazer a parte dela. “Ele é o líder e é a ele que me dirijo. Por que? Nós temos uma secretária de saúde, uma equipe de coordenadores ou superintendentes, que tentam fazer o melhor possível. Porém, quando tudo é encaminhado para o gabinete do prefeito, algo acontece. Está empenhado, mas o senhor não pagar ,não resolve nada.”

A vereadora pretende levar essa situação ao Ministério Público Federal e Estadual, pois a saúde recebe verbas do estado e do governo federal. Ela afirmou que sempre foi parceira dessa gestão no que está correto e nunca se negou a dar parecer favorável a projetos de saúde. No entanto, considera inadmissível ver os freezers vazios, por exemplo. “Recuso-me a dar parecer favorável a recursos da saúde enquanto essas contas não forem pagas. Estamos devolvendo o recurso para ficar na mesa do prefeito, como enfeite, para que não chegue até ele, ou ele está sendo mal informado ou mal assessorado.”